Público em Geral
Uma profissão ao serviço da vida A forma discreta com que o farmacêutico desempenha a sua tarefa mascara a eficácia e o profissionalismo da sua intervenção. Por isso, a importância desta intervenção passa despercebida e, na maior parte das vezes, não é reconhecida a importância ao serviço prestado pela farmácia e pelo farmacêutico, enquanto especialista do medicamento, tanto em terapia humana, como em terapia animal. As formações universitária e pós - universitária que possui, a prática do exercício quotidiano e a permanente preocupação em assegurar uma formação contínua, permitem-lhe ter uma vasta experiência e um leque de conhecimentos científicos específicos indispensáveis para responder ao objectivo do Governo que tenta assegurar e melhorar a qualidade de vida. A formação na área do medicamento abrange o exercício da profissão a todos os níveis desde o fabrico à distribuição, dos cuidados farmacêuticos no acto da dispensa, ao acompanhamento pós dispensa. Uma formação complementar permitir-lhe-á optimizar o seu papel enquanto conselheiro próximo de todos os cidadãos e adquirir as técnicas de gestão necessárias, tendo em vista uma maior eficácia nos serviços prestados ao público. O farmacêutico na sociedade As funções assumidas pelo farmacêutico na sociedade angolana traduzem-se numa afirmação crescente que ultrapassa o seu papel enquanto técnico do medicamento. O aconselhamento sobre o uso racional dos fármacos e a monitorização dos utentes inscrevem-se na necessidade de encontrar formas mais coerentes de funcionamento do sistema de saúde em Angola e no mundo. Esta é uma das evoluções recentes que continuam a destacar o dinamismo dos farmacêuticos de oficina e hospitalar na sociedade. A tendência é, através de suportes informáticos, poderem aceder imediatamente a todas as informações relevantes sobre cada medicamento presente no mercado. Desta forma, o farmacêutico, cuja presença constante é obrigatória em cada farmácia, está apto a prestar todos os esclarecimentos e aconselhamento, desde as interacções medicamentosas, contra-indicações e reacções adversas à selecção do fármaco mais adequado. Capacidade de sensibilizar para a importância da adopção de estilos de vida saudáveis e utilização racional dos fármacos e capacidade de despistar de forma precoce e identificar sinais de alerta, são algumas das competências sociais com impacto nos objectivos das políticas de saúde. A referência constante ao futuro e os exigentes critérios de rigor, qualidade e eficácia projectam as farmácias, espaços de actuação do farmacêutico, como um sector moderno e um exemplo da capacidade de mudar para melhor responder às necessidades da nova sociedade. Por este conjunto de motivos, o lugar do farmacêutico no sistema de saúde e na sociedade em geral é reconhecido em primeiro lugar por aqueles a quem se destina: os utentes. As farmácias abertas ao público garantem, através do desempenho profissional do farmacêutico, legalmente habilitado, a eficácia e a qualidade da distribuição de medicamentos para uso humano e veterinário e estão apostadas em ter um papel cada vez mais notório na adesão à terapêutica e na prevenção das reacções adversas resultantes da polimedicação. O farmacêutico e a Qualidade O sector da farmácia em Angola não se caracteriza apenas pela sua articulação com a distribuição geográfica das populações. Na verdade, o conjunto de serviços que hoje é prestado aos angolanos pelos farmacêuticos nas farmácias afirmam-nas cada vez mais como uma unidade imprescindível para o funcionamento completo do sistema de saúde. São múltiplas as iniciativas, cujo sucesso não é alheio à intervenção do farmacêutico e através das quais estes contribuem para a defesa da saúde pública. O entendimento de que a promoção da saúde pública passa pela educação, protecção e prevenção está ainda na base de todo o esforço de informação e de pedagogia de saúde junto das populações através da distribuição de folhetos e publicações nas farmácias e campanhas de promoção de saúde feitas pelos farmacêuticos ou em colaboração com eles. Para além destes aspectos, o funcionamento das farmácias em Angola rege-se pela exigência de uma qualidade cada vez maior. Esta atitude é testemunhada pelo empenho com que os farmacêuticos assimilaram as Resoluções da AFPLP - Associação dos Farmacêuticos dos Países de Língua Portuguesa (ver neste website o separador Legislação & Documentação), cujo X Congresso realizado em Luanda, em Junho de 2013, foi o maior de sempre. O imperativo da qualidade tem sido bem aceite pelo sector e as farmácias encontram-se actualmente no estádio de introdução de um sistema integrado para a gestão da qualidade. O farmacêutico e a mudança Hoje, é prevalente uma visão comercial do sector farmacêutico, em detrimento de uma visão orientada para a saúde. As decisões de ordem legal são abrangentes e transversais e o tratamento dado ao medicamento parece, por vezes, aproximá-lo de outras mercadorias, tendendo a anular o carácter de bem excepcional e daí conduzindo à banalização da sua utilização, levando ao esquecimento da verdade irrefutável de que “tudo é veneno, nada é veneno, depende da dose…”. Assim, entre um Mundo competitivo e um Mundo social, qual escolher? A solução não é optar por um ou outro, mas sim construir o modo como podem coexistir e sustentar-se mutuamente estes dois sistemas. Ao viver este tempo da mudança, o farmacêutico de oficina, concebe e propõe aos seus utentes serviços inovadores. Serviços que vão ao encontro das necessidades e expectativas de um público cada vez melhor informado e mais exigente no que concerne à sua saúde. Os farmacêuticos têm estado na vanguarda, no que toca à informatização dos seus serviços na farmácia, à modernidade e funcionalidade dos seus espaços, ao enriquecimento académico e profissional dos seus recursos humanos. Os farmacêuticos têm enveredado por caminhos arrojados, em comparação com os demais profissionais de saúde nacionais numa perspectiva orientada para o exterior, em que a visão e a competência se conjugam para uma prestação de serviços e cuidados cada vez melhor. Não esqueçamos que o farmacêutico é o último profissional de saúde a estar em contacto com o doente antes que este tome o medicamento prescrito e por isso a sua intervenção é fulcral para sensibilizar para os perigos de práticas inadequadas e para assegurar a eficácia e a segurança do medicamento. A informação dada, de forma pessoal e não generalizada, onde a importância da relação interpessoal não pode ser descurada, cobre aspectos como a utilização correcta dos medicamentos, modo de administração, efeitos terapêuticos desejados e secundários, eventuais interacções, conservação correcta do medicamento. Além disso a função do farmacêutico não consiste só na entrega dos medicamentos destinados à prevenção e à cura das doenças e à protecção da saúde, mas também à execução de fórmulas magistrais e preparações oficinais. O farmacêutico atento a uma política de armazenamento adequada é capaz de fornecer de imediato os produtos requeridos. A livre concorrência é entendida relativamente à qualidade dos serviços prestados e nunca única e simplesmente, em relação ao preço do medicamento. Farmacêutico como profissional independente e sujeito a código de deontologia e ética profissional é capaz de garantir a dispensa livre de interesses puramente comerciais. Desta forma, os farmacêuticos oferecem às autoridades nacionais e europeias o serviço indispensável da farmácia como centro de saúde e de controlo nos domínios da sua competência. “Não esqueçamos que o farmacêutico é o último profissional de saúde a estar em contacto com o doente antes que este tome o medicamento prescrito e por isso a sua intervenção é fulcral para sensibilizar para os perigos de práticas inadequadas e para assegurar a eficácia e a segurança do medicamento” Adaptado do original de Elisabete Mota Faria.